Por Ludmila Pecine
O processo de construção da Internet é fortemente marcado pela troca de informações e pela reciprocidade das relações. Esse “grande oceano do novo planeta informacional” , como defini Pierre Levy, surgi da construção coletiva e cooperativa de um movimento alimentado por iniciativas locais em diversos lugares do mundo. Diferente da forma de produção da Tv e do rádio, cuja distribuição de informações se dá a partir de um ponto central, a Internet caracteriza-se por ser alimentada e continuamente construída por seus usuários.
Um dos principais motores para o surgimento do computador pessoal foi o desejo de um grupo de pessoas que realizaram um movimento social, na Califórnia, que reivindicava computadores a preços acessíveis. A utilização do computador sem a necessidade de ser técnico, especializado, transformou completamente o significado social da informática. A informática pessoal, dessa forma, não foi prevista ou programada estrategicamente por nenhum governo ou por grandes empresas.
O atual sujeito político, como afirma Antonio Negri, está inserido em um mundo global, cuja principal característica é a existência de uma nova temporalidade e um novo espaço. Diferente da época fordista, o tempo do mundo global é unificado e disperso e o espaço é caracterizado por inter-relações contínuas. Nesse novo contexto o sujeito político se caracteriza por ser um trabalhador intelectual e mais cooperativo.
A partir da compreensão do contexto no qual surge o atual sujeito político, fica mais claro apreender a Internet como uma mídia de multidão. Como assegura Negri, a multidão pode ser entendida como um conjunto de singularidades cooperantes que se apresentam como rede e nas relações estabelecidas e no reconhecimento do outro é que as singularidades se definem.
A Internet, mídia símbolo do Ciberespaço, é construída por meio da ação da multidão, dessas singularidades que se comunicam e comutam. Orkut, blog, You Tube, e muitos outros são exemplos de ferramentas construídas e alimentadas pela multidão. A relação estabelecida entre as singularidades, de cooperação, convertem-se em reais e produtivas na Internet, com a criação de redes de comunicação, com a participação de pessoas de diversos lugares. Diferente da Tv ou do rádio, na Internet esse novo sujeito político, não é apenas telespectador ou ouvinte, ele está imerso na rede e tem a liberdade participar, de construir ou até desconstruir.
O sistema “peer 2 peer”, que baseia o princípio colaborativo da Internet, permite que ela seja fruto da construção relacional das singularidades, que nada mais são do que a multidão. No entanto, apesar da possibilidade de livre acesso dos usuários a Internet, interagindo entre si e construindo a rede, a Internet se revela uma mídia de controle de vida. Há uma falsa idéia de que o anonimato é plenamente possível na Internet.
Ao mesmo tempo em que é permitido o “livre” acesso à rede, há um controle exercido pelo sistema capitalista, por meio do domínio dos mecanismos técnicos, de softwares e das grandes forças globais de controle, de tudo do que está sendo produzido e colocado em rede. Um exemplo da Internet como uma mídia de controle de vida é o site de relacionamentos do Orkut, que funciona como um panóptico virtual, onde cada participante da rede pode saber o que os outros usuários fazem, quem são seus amigos, entre outros detalhes da vida pessoal alheia.
É possível ainda fazer uma suposição: se a Internet fosse um dos principais meios de comunicação, tal como é hoje, na época da ditadura militar no Brasil, muitos movimentos reacionários à ditadura teriam portais, ou blogs que seriam, na certa, mais uma mídia controlada e os possíveis responsáveis seriam identificados e, provavelmente, punidos. Outro exemplo é a utilização por muitas empresas de sites de relacionamentos para detectar em que nicho é mais interessante investir, ou o que pensa os consumidores de determinados produtos.
Antônio Negri afirma, no entanto, que o capitalismo apesar de tentar dominar essa nova realidade, não consegue exercer total controle sobre o processo de singularização, ou seja, de cooperação, de troca de informações e invenção. E é nessa “falha” do capitalismo e na ação da multidão que está a resistência ao sistema.
deve ter tirado 10 na prova…rsrrs
=p
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