*11h
Hora do Almoço
… mas ele desconhecia esse fato extraordinário
O cidadão entrou pela primeira vez em sua uNiVeRsIdAdE, mal sabia em que solo pisava, sabia apenas a função que ali desempenhava – função de OpErÁRiO.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam das mãos
Mas tudo desconhecia de sua grande MiSsÃo: erguer prédios, traçar chão trabalhando noite e dia – quanto tempo pra reflexão?
… o operário emocionado olhou sua própria mão
sua rude mão – de operário Em CoNsTrUçÃo…
“quando chego em casa vou tomar banho, nessa hora é que eu sinto o cansaço – o peso do trabalho, a dor de ter passado o dia todo no serviço debaixo do sol QuEnTe – só sinto vontade de dormir”
Ora! Tanto sono permite sOnHoS? – “Engenheiro, eu? – mal sei falar!”
“Universidade é para aquelas pessoas que tem o sonho de Um NoMe ”
Paisagista, caminhoneiro, carpinteiro, cirurgião:
Utopia;
Ficção;
Fantasia;
Visão;
Aspiração;
Mesmo dentro da universidade o sujeito parece um tanto distante,
não como oPeRáRiO, mas sim como EsTuDaNtE.
Sua gente, sua cor ali não têm valor.
DeMoLiR indivíduo, sujeito, cidadão – construir janela, casa, cidade – nAçÃo.
… mas ele desconhecia
esse fato extraordinário:
que o oPeRáRiO faz a coisa e coisa faz o oPeRáRiO.
“ Acho que deveria ter mais verde, mais flores, mais canteiros de plantas – por ser uma obra muito grande você só vê asfalto, pedras e cimento”
… como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo sua liberdade
Era sua EsCrAvIdÃo…
Empobrecido, ainda assim agradece tal condição.
Um salário, um teto, um pão: tudo graças ao PaTrÃo!
“O trabalho é duro, mas a gente tem que agradecer a Deus né? – tem gente que nem isso tem…”.
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir – Deus lhe pague.
12h
Fim do almoço
“ Está na hora, deixa eu ir trabalhar”
*Este trabalho é Baseado no poema “Operário em Construção” de Vinícius de Moraes e na música “Construção/Deus lhe pague” de Chico Buarque de Holanda. Além de depoimentos dos operários que trabalham nas obras de duplicação da Avenida Fernando Ferrari, Vitória (em frete à Universidade Federal do ES).
