Quando vamos para o trabalho, serviço ou quando simplesmente andamos nas ruas é comum ver homens, mulheres ou até crianças puxando carrinhos cheios de lixo. Se o cara do carrinho atrapalha quem tá no volante, a buzinha “grita” e só se ouve os palavrões direcionados a esses trabalhadores: os CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS.
Participei, na tarde da última terça-feira, da manifestação desse trabalhadores. Hoje, dia 07 de junho, é DIA NACIONAL DO CATADOR DE MATERIAL RECICLÁVEL. Nem sabia que existia dia em homenagem à eles. Um “dia” especial eles têm, mas o que eles mais querem são direitos trabalhistas e o respeito da população.
Para mostrar como é o dia a dia dessas pessoas que, apesar do trabalho exaustivo, gostam do que fazem, seguem duas entrevistas realizadas com um pai de família e com uma catadora que coleta lixo desde os oito anos de idade.
Transcrevi fielmente a entrevista. A população não reconhece, mas o meio ambiente agradece o trabalho dos catadores!
Entrevistas
Entrevistada: Anísia da Conceição.
Há quanto anos a senhora cata material reciclável?
Tenho 38 anos e cato lixo há 30 anos.
O que você acha do serviço ?
É bom né! Muito bom!
Você acha que tem as condições necessárias para realizar esse tipo de trabalho?
Podia ter luva, bota, tudo para nós né!
Você, quando tinha oito anos, catava materia reciclável e frequentava a escola também?
Ia sim!
E estudou até que série?
Ih, aí que eu não sei. Acho que foi até a segunda série do primário.
Quanto você ganha catando lixo?
Eu tiro R$100,00 por semana de todo material que cato.
Quanto os sucateiros pagam pelo papel?
O papel tá R$ 0,07 o quilo.
Dá para viver com o que a ganha?
Acho que dá né! Tiro uns R$300,00 por mês.
E onde você cata o lixo?
Cato o papel na rua, coloco no carrinho e levo o material para o ferro velho na Ilha de Santa Maria.
Como você avalia a vida de catador de material reciclável? Como é o dia a dia?
É bom, um serviço honesto. Meio sofrido, mas dá para sobreviver.
Porque sofrido?
Porque tem risco de ser atropelada pelos carros, risco de pegar uma doença, mexer no lixo. Tem rato que passa no papelão, e a gente cata com a mão sem luva , sem nada, tem risco de cortar o pé.
Quantas horas por dia você trabalha?
Pego de manhã, e vou até uma hora da madrugada! De segunda a domingo.
Qual o direito trabalhista que você tem?
Nenhum.
Entrevistado: Juarez de Eduardo dos Reis, 53 anos, cata material reciclável há dois anos.
O que você fazia antes de catar lixo?
Antes eu era motorista.
E dá para viver com o que ganha?
Mais ou menos né. Dá pra quebrar o galho.
Quanto você tira por mês?
Tiro uns R$600,00 a R$ 700,00.
Você tem filhos?
Tenho três.
E como é a vida de um catador?
Nós somos muitos discrminados. Ninguém ta ligando, ninguém quer falar com a gente, não dão o mínimo de atenção.
Como são as condições de trabalho?
É muito trabalho, temos muitas dificuldades, às vezes temos que trabalhar nos finais de semana, porque é melhor.
Quantas horas o senhor trabalha por dia?
Ah oito, dez não tenho hora marcada não , minha filha!
Como é o serviço na rua, ter que puxar o carrinho nas avenidas?
Ninguém que dá preferência para o catador de material reciclável, ninguém!
Corro risco de ser atropelado, De tudo quanto coisa ruim que pode acontecer em uma pista, o catador é o mais sacrificado.
Porque o senhor deixou de ser motorista?
Porque tá difícil de arrumar emprego.
Qual a importãncia para o senhor da manifestação de hoje?
Muito bom! É uma maravilha para poder chamar atenção dos governantes.
Quais os direitos trabalhistas que o senhor tem?
Nenhum. Nós não temos nada. Queria ter alguns direitos.
O senhor trabalha desde quando?
Trabalho desde quando tinha uns oito anos de idade.
E o senhor tem previsão de quando vai se aposentar?
Não sei.